O Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec), visa institucionalizar, em caráter interdisciplinar, intercampi e interinstitucional, ações de pesquisa e formação em direitos humanos. O foco principal do trabalho se refere às violências institucionais e, em particular, à violência de Estado e ao trabalho de produção de evidências sobre tais fatos.
O CAAF/Unifesp foi criado em 2014 por demanda dos familiares de mortos e desaparecidos políticos da ditadura. Sua criação respondia a um acordo de cooperação técnica entre a Unifesp, a Prefeitura de São Paulo e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para a formação do Grupo de Trabalho Perus (GTP). Iniciou-se um trabalho forense multidisciplinar dedicado à identificação humana de desaparecidos políticos entre os remanescentes ósseos da Vala Clandestina de Perus (datada dos anos 70 e aberta em 1990).
Paralelamente, o CAAF desenvolveu, em parceria com o Centro Latino-Americano da Universidade de Oxford, e com o apoio do Fundo Newton, o projeto de pesquisa “Violência de Estado no Brasil: uma análise dos Crimes de Maio de 2006”. Em 2020, em parceria com a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, o CAAF investigou e comprovou a responsabilidade do Estado na morte de nove jovens que participavam do Baile da DZ7, no bairro de Paraisópolis, em São Paulo.
Essas pesquisas possibilitaram o desenvolvimento de metodologias, protocolos, bem como a realização de análises que têm contribuído com a consolidação da antropologia e arqueologia forense como áreas do conhecimento no Brasil, a formação de equipes multiprofissionais e a apresentação de dados que respondem às reivindicações históricas dos familiares de vítimas da violência de Estado.
Em todas as nossas pesquisas, buscamos manter uma parte das vagas de consultores destinada aos militantes ou demandantes dos movimentos ou das lutas sociais. Eles são fundamentais, pois, como já se sabia desde a virada forense, se constituem nos primeiros investigadores das violações.
Dessa forma, as pesquisas desenvolvidas no CAAF se fundamentam no encontro das demandas e lutas sociais com as iniciativas de docentes e pesquisadores da universidade e de outras instituições parceiras. Os saberes das lutas e dos movimentos de vítimas, o conhecimento científico e forense e a extroversão dos relatórios e evidências obtidas conformam o tripé que organiza as ações e as pesquisas do centro.